Entrevista: Tiffanny

AAF: Enfim, vamos lá. Como autora, qual o gênero que mais gosta de escrever? Há um que tenha mais facilidade ou dificuldade? Por quê?
Tiffanny: Gosto de escrever dramas, que contenha morte e polêmicas. Minha faciliade vem com inspiração, as vezes eu sou boa pra escrever romances, outras comédia. O mais difícil pra mim é vencer a preguiça.

AAF: A maioria de suas leitoras acham que o seu gênero favorito é definitivamente a Deathfic, pelo fato de suas histórias mais famosas serem deste gênero. Qual o gosto por ele? O que te atrai para escrever uma deathfic?
Tiffanny: Eu realmente não sei, acho que sou um tanto psbicopata. Esse tipo de assunto me atrai, eu tenho serial killer preferido. É bizarro. E acho que as pessoas escrevem para fugir da realidade de alguma forma, e escolhem um caminho melhor, eu prefiro escolher um caminho mais sinuoso, mais freak.

AAF: Quando sente uma inspiração bater em sua mente, o que costuma fazer? Como você administra suas ideias?
Tiffanny: Se a inspiração bate eu escevo, eu sou uma verdadeia lesma pra escrever, não tenho qualquer disciplina quanto a isso, por isso, bateu eu escrevo. E costumo pensar e repensar as minhas idéias, depois falo com minhas amigas para melhora-las.

AAF: Existem várias histórias que exigem detalhes, você sempre procura demonstrar cada centímetro quadrado do cenário, cada sentimento até do subconsciente do personagem. De onde tira toda essa inspiração para os detalhes? Há alguma leitura que te ensina a usar as palavras certas?
Tiffanny: Eu realmente não sei, as palavras vão saindo e se encaixando, acho que é pelo fato de só escrever com inspiração. Os autores que eu mais leio são aqueles de romance de banca de jornal, e não costumam ser assim tão meticulosos.

AAF: Geralmente quando as autoras estão escrevendo suas histórias, elas costumam se colocar como personagens principais da trama. Com você é a mesma coisa? Ou você prefere criar uma própria personagem?
Tiffanny: Eu crio os personagens, não consigo escrever comigo mesma, acho que não sou muito inspiradora (risos).

AAF: E teve algum personagem inspirado em alguém que você conhecesse?
Tiffanny: Sim, o Chris, de uma fiction que não está mais no ar, ele era completamente baseado em um amigo meu.

AAF: De onde você tira as ideias de suas fanfics? Teve alguma que você se baseou em algo ou em alguma situação?
Tiffanny: The Joke, eu me baseei no massacre de Columbine, e sua continuação - Out Of Heaven - no outro massacre em Virginia Tech. Tirando essas, não há outras bases diretas, mas eu costumo reciclar sitações ao meu redor.

AAF: Como você costuma lidar com os bloqueios na hora da escrita?
Tiffanny: Com muito pressão, por que eu fico aflita de não conseguir escrever. E uso minhas amigas para me pressionar ainda mais, nem sempre funciona, mas sempre faço isso.

AAF: Untouch é a sua atual fanfic onde fala sobre a vida de uma garota de programa e um integrante do The Maine um tanto quanto "preconceituoso", se assim podemos dizer, ao mesmo tempo, ele se vê em uma situação onde se sente atraido pela garota que tanto tenta odiar. Primeiro: Por que The Maine? Segundo: Como surgiu a ideia de uma personagem que seja garota de programa? Por que não fazê-la logo ousada, ao invés de deixá-la segura de si, porém com inseguranças que uma pessoa não imagina que uma garota nessa profissão tenha?
Tiffanny: A fanfic é The Maine por causa da Natashia, ela seria My Chemical Romance e entraria em outros, mas ela me fez escrever com esse fandom. Eu tive a idéia para essa primeira cena da fic, e me veio o nome Garota de Vidro, intocável. Então eu fiquei semanas pensando em como usar essa cena, e aos poucos a idéia veio na minha cabeça e tudo se encaixou. O fato das inseguranças da personagem e até de sua segurança tem muito haver com o passado dela, que será o desfeixo da trama. A história está muito no inicio para os leitores, então tudo é muito suposto, mas as coisas se encaixaram um pouco mais nos próximos capítulos.

AAF: Como foi criar as personalidades dos personagens dessa trama? Há aqueles que você tem como preferido, ou até aqueles que você não gosta muito de citar, mas que são fundamentais? Você está relacionando algum personagem com alguma situação futura que desenvolverá toda a trama da fanfic?
Tiffanny: Antes mesmo de criar Untouch eu queria ter um pesonagem machista e dominador, então ele já estava quase pré-concebido. A melhor amiga da personagem era uma mistura das minhas amigas, mas admito que ultimamente ela não tem nada haver com as musas. Jacob é um personagem fundamental, e uma das amigas da boate Sensation. A maioria dos personagens em destaque vão ter um papel fundamental no final da história, todos terão seus papeis.

AAF: Como leitora, o que é fundamental ter em uma fic e o que é um pecado mortal?
Tiffanny: Fundamental ter coerencia, morte e/ou bebês. Um pecado mortal é aqueles enredos em que as coisas acontecem de forma muito rápida e sem pespectiva, sabe aquelas coisas de "você tá andando pelo show, entra no lugar errado e cai do camarim?"

AAF: Existe alguma fanfic que você leu o título e pensou: "Deus do céu, deve ser uma droga ou ao menos ruim." e quando a leu, viu que não era nada do que imaginava?
Tiffanny: Sim, mas no meio realmente ficou away, não lembro agora qual fiction foi nem o fandom, mas já ocorreu sim. Acho que o título influencia muito na leitura, e algumas autoras colocam titulos que não tem haver com nada, e acabam pedendo leitores, eu só leio fics desse tipo por que leio quase todas as do DS.

AAF: Como você faz na hora de criar suas sinopses? Se formos ver, a sinopse é a peça-chave de uma fanfic, sem ela a autora não consegue convencer a leitora de que é uma boa fic, não despertando um interesse pela história. Como fazer na hora de fazer os jogos de palavras?
Tiffanny: Acho que eu poderia sobreviver de sinopse.

AAF: E a sua preferência com fandoms? Ela é restrita ou aberta? Qual a sua preferência?
Tiffanny: Ultimamente eu tenho lido The Maine e Fandom abertos, mas meu fandom preferido é My Chemical Romance, mas não se fazem mais fics deles como antigamente, e eu não suporto mais ler Slash. Mas eu leio de tudo, e escrevo com tudo, pra mim tanto faz, só prefiro fictions onde eu possa escolher meu favorito.

AAF: Para você o que é mais importante: A opinião da leitora, seus comentários; Ou sua satisfação com a sua história? Por quê?
Tiffanny: Uma combinação dos dois, não adianta dizer, quando você começa a escrever uma fiction ela é uma ideia sua pra você, mas você que que outras pessoas gostem dela também, se identifiquem. Então a melhor coisa é uma boa dose dos dois. E acho que quando você tem satisfação plena com seu enredo, as outras pessoas entendem sua estima e é mais fácil de elas gostarem do que você escreve.

AAF: Qual foi a sua primeira fanfic? Lembra-se de como ela era? Sente alguma diferença em antes e agora?
Tiffanny: Eu era péssima, para começo de conversa, as coisas também eram muito diferentes. Naquela época não havia interatividade, os diálogos eram mais importantes que as descrições, e nós usavamos scripts, como os atuais fakes. Era aquela coisa: Fulano: eu te amo. *se aproxima e a beija*. É um total choque ler minhas fics dessa época. Minha primeira fic foi My Charmed Dream, ela esteve no DS por um tempo, mas eu a retirei, hoje ela só esta na comunidade "Fanfic Demolition Lovers" no orkut.

AAF: Como autora destaque no DreamStore, - e não só uma vez, como duas! - Qual a sua opinião sobre as suas fanfics destaques? Qual a magia que ela trouxe às suas leitoras, que as fizeram fazer das histórias, um destaque?
Tiffanny: Destaque pra mim é meu meio de fazer mais pessoas lerem a minha fic, já que eu não a divulgo. Fanfics destaque são o melhor presente para uma autora, por que é o resultado de um bom trabalho. Acho que a magia envolvida entre minhas fics - destaques - e as leitoras é a abordagem diferente. Está bem, todo mundo hoje em dia escreve restrita e deathfics, mas uma coisa que acho que dá um tempero especial pras minhas histórias é a aura de mistério que todas elas tem. Acho que isso é uma marca minha.

AAF: Na maioria das vezes que lemos os títulos de suas fanfics, podemos sentir o peso de suas histórias apenas pelas palavras que nomeiam o enredo. Como é a seleção para a escolha dos títulos? Como você concilia-a com a história?
Tiffanny: Se o título não me vem antes a cabeça, ele é a última coisa que eu escolho. Primeiro eu disseco a minha história pra depois escolher o título. Há também as fics que nasceram de uma canção, como The Joke e I'm in Love With a Sociopath, que são fielmente os nomes das canções. Já em Postcard, mesmo usando The Last Night On the Earth como inspiração, havia mais sentido nomea-la desse jeito do que seguir a música. Acho que só tenho um pouco de raciocinio lógico.

AAF: É fácil ver autoras que começam suas histórias bem, fazem um desenvolvimento impressionante, mas chega na hora de finalizá-las, não consegue exceder as expectativas de suas leitoras. Para você, o que é necessário uma autora prestar atenção ou valorizar para que não ocorra erros assim? Você acha que isso já acontecera com alguma fanfic sua?
Tiffanny: Primeiro, acho que a autora deve escrever o final que a agrade, depois ler toda a fiction com olhar de leitora, olhar critico, ai sim, reescrever um bom final. Pelo menos esse é meu método. Já, há algumas fics que por mais que as pessoas tenham comentado de forma positiva, eu não gostei do final. I'm in Love With a Sociopath é uma delas, houve romance de mais num final que merecia ódio, sangue e sarcasmo. Pra mim isso foi um grande desapontamento.

AAF: Podemos encontrar incontáveis autoras que postam suas fanfics na internet esperando apenas pela fama. Qual a sua opinião sobre elas? Para você, o que é ser uma autora de fanfic realmente famosa? Quais as características que devemos valorizar nelas?
Tiffanny: Acho que elas poderiam estar fazendo algo de mais útil para a vida delas e para o mundo. Quando alguém quer ser apenas uma ficwritter famosa, na maioria das vezes elas não se preocupam com o que escrevem, o que faz o mundo das fics perder completamente a credibilidade. Acho que elas nem mesmo se importam de gostar do que escrevem, só seguir a moda. Uma verdadeira autora de sucesso é aquela que tem fãs reais, que leem qualquer título, fandom e história que ela escreve. Que tem histórias de conteudo. Uma autora de sucesso, tem mais de um título aproveitavel, ela escreve porque e o que gosta, ela não liga se a história dela tem 1 ou 1000 visitas. E o principal, grandes autoras são simpaticas e receptivas. Se uma autora vem ganhando notoriedade e começa a não ter mais tempo pros leitores, perde completamente o meu respeito. Eu simplesmente não dou mais valor pro que ela faz.

AAF: Cite uma lista de cinco fanfics que você considera as melhores lidas até agora e o motivo de você dar tanta atenção assim à elas.
Tiffanny: Nossa, essa pergunta é difícil, há tantas histórias boas, anyway:
Demolition Lovers: porque foi a fic que me fez começar a escrever.
Sick Heart: é a unica slash que eu sou fã.
Weak: porque me lembra meus filmes de ação preferidos.
I Don't Know: A primeira fanfic interativa que li do MCR.
Pleasures on the flesh: é exatamente o meu gênero de fanfic. Impossivel eu ignorar.

AAF: O que você diria para uma leitora que nunca leu sua fanfic? Como você chamaria sua atenção para ela (sua história)?
Tiffanny: Uma pistola na cabeça dela seria efetivo (risos). Mas eu não sei, na maioria das vezes eu não faço isso justamente por não saber como. É até hilário já que eu vou me formar em propaganda, mas falar do meu trabalho é estranho, parece que eu tenho um enorme ego.

AAF: Para finalizar, cite alguns erros que autoras costumam cometer e o que elas devem fazer para que evitem colocar em suas histórias.
Tiffanny: Continuidade, é muito comum ler em fics coisas desordenadas, como em um momento os personagens estão sentados no banco do parque e no momento seguinte estarem dentro do carro. Isso faz a história ficar vaga, então é bom que você leia o que escreve e seja crítica consigo mesmo. Seguir a maré, se você é boa em drama, mas as pessoas ultimamente só estão lendo slash, não corra para escreve o que todo mundo quer, continue no seu core copetence. Cuidado em misturar realidade e ficção. Se o cara na sua fic é um médico, não coloque a banda dele tocando no rádio ou ele cantando para ela. Isso é mau.

Publicada em: 28 de Novembro de 2010
Entrevista por: Natashia

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